Banco, pergunte-me se estou feliz

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Banco, pergunte-me se estou feliz

Techedge | Out 06, 2020

Este artigo nasce da questão: “O que é preciso para ser feliz - e como se tornar feliz?”. 

Mesmo não tendo uma resposta abrangente, vou compartilhar algumas reflexões sobre o vínculo entre felicidade, trabalho, objetivos, gestão e... bancos

Se vocês estão curiosos, continue lendo!

Objetivos e felicidade: o que é preciso para ser feliz de verdade?

 

O primeiro passo de um percurso para a felicidade é focar nos objetivos, isto é, perguntar a si mesmo: o que pode realmente me aproximar daquilo que, para mim, é a felicidade? 

Uma tarefa que está longe de ser simples, mas que responde a uma questão universal; você não terá dificuldades para encontrar centenas de manuais e gurus que tentam simplificar o feito com as mais variadas sugestões. 

Pessoalmente achei interessante a metodologia descrita por Bill Burnett e Dave Evans, professores em Stanford e autores do livro “Designing Your Life – how to build a well-lived joyful life” (que eu recomendo), com tradução para o português intitulada “O design da sua vida: Como criar uma vida boa e feliz”. 

Com os dados em mãos, os autores iniciam com algumas afirmações:

  • Apenas 27% dos graduados nos Estados Unidos (não espero diferenças relevantes na Europa) entreprendem uma carreira compatível com o próprio percurso de estudos universitários.
  • Sucesso não significa felicidade: muitas pessoas que alcançaram sucesso em conformidade com os parâmetros “clássicos” (percurso de estudos, progressões na carreira, estabilidade econômica, etc.) na realidade não estão felizes nem satisfeitos, nem mesmo com relação ao trabalho realizado.
  • 31 milhões de americanos entre 44 e 70 anos estão à procura de uma nova carreira e definem características precisas para a busca: querem algo que tenha significado pessoal, garanta uma renda continuativa e tenha impacto social.

Essas observações preliminares logo nos fazem presumir que a felicidade, erroneamente identificada com elementos relacionados à estabilidade, seja de fato algo muito mais amplo - que envolve não apenas a esfera econômica/profissional, mas também e sobretudo a esfera pessoal. Algo que, no entanto, não é estático, mas evolui continuamente com a própria pessoa.

Os autores propõem, portanto, um método para “projetar a própria vida” destinado a todos: aqueles que acabaram de entrar no mundo acadêmico ou do trabalho e também àqueles que - em qualquer idade - perceberam que é preciso recomeçar.

A abordagem proposta é particularmente estimulante, ou seja, a filosofia do projeto aplicada a si mesmo. Na prática, isso se traduz no esforço para assumir certas atitudes (“mentalidade”) identificadas como construtivas, por exemplo:

  • ser curioso e pronto para experimentar, tentar fazer as coisas concretamente
  • reformular (“reframe”) os problemas, a fim de poder identificar quais são os problemas certos a serem abordados e resolvidos
  • encarar o percurso ciente de que se trata de um processo e, portanto, que é normal defrontar-se com obstáculos, mas que é fundamental persistir, focar no próprio processo e ver no que vai dar
  • pedir ajuda: visando a uma “colaboração radical”, dado que as melhores ideias podem ser obtidas através de outras pessoas

Seguindo em frente, de forma muito pragmática, os autores definem um método para uma “auto avaliação” em quatro dimensões relevantes: trabalho, jogo, amor, saúde… O restante, porém, deixo à sua curiosidade descobrir, compre o livro ou se inscreva no curso em Stanford. 

De qualquer modo, seguindo esse ou outros métodos, a um certo ponto você entenderá melhor o que a felicidade significa para você e quais objetivos você deverá seguir para alcançá-la.

Gestão e felicidade: manter o plano sob controle

 

Esclarecemos o que é preciso para ser feliz, as nossas metas, e talvez já até iniciamos a nos empenhar em diferentes planos para alcançá-las. O trabalho não acaba aqui: a esse ponto, a Gestão é fundamental para não invalidar todos os nossos esforços.

Por Gestão quero dizer a verificação constante de que as ações do plano estão sendo implementadas e que esses comportamentos estão efetivamente nos aproximando de nossos objetivos. Pode ser também que nossas ações estejam nos afastando dos nossos propósitos - e, nesse caso, é bom saber imediatamente para que sejam tomadas medidas adequadas.

Mesmo em um processo considerado intangível, como a busca da felicidade, avaliar e direcionar a trajetória exercem um papel fundamental. 

Pode-se dizer que a felicidade é um projeto e deve ser tratada como tal, trabalhando a si mesmo com o método e a constância que aplicaríamos a uma tarefa muito importante para nós. Isso significa planejar com cuidado as ações mais relevantes para alcançar os objetivos mais significativos avaliando seus impactos; estabelecer pontos de controle periódicos para aferir o andamento do plano e, consequentemente, ajustar os passos sucessivos.

Finanças e felicidade: quanto influi a estabilidade econômica?

 

Os mais românticos não serão seduzidos por essa afirmação: no contexto de uma aproximação tão pragmática à felicidade, a situação econômica tem, sem dúvidas, um papel importante. 

A concretização de nossos objetivos está inevitavelmente ligada à nossa situação patrimonial (montante de base ou exposição da dívida), de renda (capacidade de renda, hábitos de consumo, habilidade de poupar), e financeira (cobertura das necessidades de caixa). 

Mesmo no caso de metas desvinculadas das finanças, o fato é que uma situação desequilibrada nesse sentido pode gerar tensões e pensamentos que inevitavelmente vão perturbar o foco nos objetivos - gerando atrasos ou simplesmente impedindo a concretização dos mesmos.

E vice-versa, uma situação econômica geralmente mantida sob controle garante a possibilidade de planejar com eficácia ações que dependem diretamente da disponibilidade financeira dando, ao mesmo tempo, a tranquilidade necessária para que se possa prosseguir com motivação rumo a qualquer tipo de objetivo.

Ter uma situação patrimonial, de renda e financeira sob controle é um pré-requisito para alcançar muitos, senão todos os objetivos.

 

LISA: uma consultora pessoal para a felicidade

 

Dissemos que para alcançar a felicidade precisamos de metas, um plano de ação com Gestão correta e viabilidade financeira. Definidos nossos objetivos, não seria ótimo ter alguém que nos ajudasse a monitorar a situação - talvez até nos dando alguns conselhos estratégicos ao longo do caminho? 

Na essência uma consultora pessoal - a chamaremos LISA (Lifetime Improvement Support Advisor) - que sinceramente se preocupa com a nossa felicidade e que faça de tudo para nos apoiar sem querer nada em troca. Alguém que tenha controle sobre nossa situação financeira e calcule rapidamente para nós os impactos de todas as nossas ações no plano global. Uma consultora pessoal que esteja sempre conosco - no bolso, por assim dizer - para salientar comportamentos virtuosos e denunciar ações danosas, consentindo um planejamento concreto, ativo da nossa vida. 

“LISA, olha que sapato bonito… Se o compro agora, terei dificuldades no fim do mês?” “Não, porque este mês você teve um crédito de juros de investimento que cobre essa despesa extraordinária!”

 “LISA, para poder viajar no próximo verão para o Caribe gastando 12.000 reais com tudo incluído, o que você me aconselha?” “Sugiro economizar 720 reais ao mês: prossigo estabelecendo a meta?”

Se a LISA existisse, sua residência natural seria o nosso banco - ou melhor, um banco que realmente tenha interesse em ajudar seus clientes a se “manterem em rumo à meta”. Na verdade, com o PSD2 e o Open Banking outras entidades, além dos bancos, também poderiam oferecer esse serviço (no sentido mais nobre do termo).

De qualquer forma, o problema é que é difícil pensar que exista um banco que dê ênfase a uma conduta de valores que ajude seus clientes a serem felizes, sem que pretenda alguma coisa em troca. Não é possível e nem mesmo seria correto: um banco continua a ser uma empresa com fins lucrativos que deve prestar conta aos seus acionistas.

Bancos e felicidade: um paradoxo… ou não?

 

Analisando melhor o assunto, não é verdade que o banco não receberia nada em troca: ganharia a confiança do cliente, seus depósitos e a boa predisposição dos mesmos para qualificá-lo como primeira opção para outros serviços de valor, por exemplo, a gestão dos investimentos.

Além de tudo, por sorte, os tempos estão mudando: os bancos (as empresas em geral) começam a dar maior atenção a fatores até então considerados secundários - ambiente, igualdade, inclusão, sociedade - fatores estes não estritamente econômicos, mas que inegavelmente têm impactos diretos sobre o desempenho financeiro.

Todos os bancos deveriam estar cientes de que ajudar seus clientes a realizar suas ambições, seus sonhos, leva a uma relação de confiança e reciprocidade que, em termos de lifetime value (valor vitalício), terá impactos positivos também nos resultados desses clientes para o banco. 

Ninguém, mais do que os bancos, deveria se preocupar mais com a satisfação a 360° dos próprios clientes.

Se você pensa que o raciocínio é utópico, não posso censurá-lo: todos os indicadores (história, confiança, sistemas de recompensa, escândalos, pressões regulatórias, crise econômica, taxas, rentabilidades...) nos dizem que a felicidade do cliente e do banco parecem inconciliáveis.

Se, ao contrário, você acha que devemos pensar de maneira diversa... Tenho uma boa notícia para você: a LISA existe - e se você me contatar, ficarei feliz em apresentá-la a você.

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